Ir para o conteúdo
  • Testemunhos
  • Faça uma doação
  • Acesso de associados
Menu
  • Home
  • Sobre nós
    • Quem somos
    • Por que ser associado?
    • Como ajudar
    • Contato
  • Conteúdo
    • Últimas notícias
    • Ciência e saúde
    • Colunas
    • Política e atualidades
  • Biblioteca RDT
Seja um associado

Estudo de baixa qualidade é divulgado no Brasil e aponta que os cigarros eletrônicos contém 127 produtos altamente tóxicos

  • Direta
  • maio 8, 2024
  • 10:12 pm

Veículos de imprensa brasileiros estão divulgando a notícia de que um estudo apontou que os cigarros eletrônicos contém 127 produtos altamente tóxicos, mas a realidade é bem diferente.

Nos dias de hoje, a velocidade da informação é muito maior do que antes da invenção da Internet, o que certamente impactou na qualidade do jornalismo. Onde antes havia uma grande equipe de jornalistas, repórteres e editores, que demoravam dias para criar e publicar um artigo, com grande cuidado na checagem de fontes e confirmação de fatos, hoje há equipes menores cujo objetivo é o publicar o maior número possível de matérias, da forma mais ágil possível, para não perder o “furo de reportagem”.

Isso acaba criando grandes problemas, principalmente em temas complexos e polêmicos, com o agravante de que, infelizmente, a ciência não é uma área infalível, pelo contrário, há muitos trabalhos sendo realizados com baixa qualidade, que fazem um desserviço à sociedade e desinformam ao invés de informar.

O último exemplo disso está no artigo replicado em diversos veículos de imprensa, como Metropoles, Gazeta Web, Jornal Floripa e outros.

“…um estudo publicado na revista Nature nesta quarta-feira (8/5) indicou que alguns produtos químicos usados nos vapes podem ter diferentes níveis de toxicidade, sendo que 127 deles são considerados altamente tóxicos quando aquecidos e inalados.” – informa o Metropoles.

O trabalho foi realizado pelo Royal College of Surgeons in Ireland, liderado pelo químico Donal O’Shea, que de acordo com a informação divulgada, usou ferramentas de inteligência artificial para encontrar a quantidade total de substâncias danosas presentes.

A imprensa diz que “A pesquisa apontou que os vapes produzem 127 produtos químicos “agudamente tóxicos”, 153 “perigosos à saúde” e 225 “irritantes ao organismo”. Quase todos os sabores submetidos ao sistema, com ou sem nicotina, tinham pelo menos um produto classificado como perigoso para a saúde.”

Consultamos o cardiologista Dr. Konstantinos Farsalinos, pesquisador sênior da University de Patras, especialista em redução dos danos do tabagismo, especialmente em cigarros eletrônicos e pedimos que analisasse o estudo.

O Dr. Konstantinos disse: “Além da negação do autor a fatos básicos nas suas declarações (como o potencial de cessação do tabagismo dos cigarros eletrônicos, que já está bem comprovado), verifiquei o estudo e há questões importantes.

Todo o artigo se baseia na suposição de que há pirólise na vaporização, mas não fornece qualquer informação sobre que tipo de condições estão associadas à pirólise e se tais condições estão acontecendo com os cigarros eletrônicos.

Portanto, são condições de modelagem para as quais não fornecem nenhuma evidência de que tenham qualquer relevância para as características funcionais do cigarro eletrônico. O relatório classifica a toxicidade para compostos criados a partir da pirólise, mas não sabemos se as condições de pirólise utilizadas no modelo têm alguma relevância para as características funcionais do cigarro eletrônico e não temos ideia das concentrações de tais compostos (se gerados). A toxicidade é baseada na concentração e não na presença dos compostos.

Na realidade, se fizerem a mesma simulação para qualquer alimento cozido, descobrirão que tudo é cancerígeno, com base no pressuposto de pirólise em todos os alimentos cozidos, especialmente se considerarem níveis de temperatura de 400 ou 1000 graus, como tendo alguma relevância para valores em condições realistas. Assim, todo o estudo é um exercício teórico do que aconteceria quando você tivesse a pirólise em compostos de sabor, e eles tentam torná-lo relevante para o uso de cigarros eletrônicos, mesmo sem a compreensão das condições do modelo terem qualquer relevância para os cigarros eletrônicos. Tão decepcionante, inacreditável.

Na introdução eles mencionam: “Estudos mediram temperaturas típicas variando de 100 a 400 °C, dependendo de fatores como potência, materiais da bobina de aquecimento, tamanho da inalação e quantidade de líquido, com temperatura da bobina seca medida acima de 1000 °C [19,20]. Decomposição por pirólise de sabores a estas temperaturas podem produzir um grande número de entidades químicas secundárias desconhecidas, amplificando enormemente os riscos para a saúde de cada sabor.”

Isto é irrelevante para o uso realista do cigarro eletrônico. A referência 19 (https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0195925) foi um estudo medindo temperaturas de um atomizador de bobina superior (EGO CE6!!!) [o especialista faz destaque pois este é um modelo antigo, muito desatualizado, comercializado em 2008 que não existe mais] sem que ninguém usasse o dispositivo. Eles aplicaram 3-6V em atomizadores com resistência de 2,2-3,7 Ohm. Imagine que a aplicação de 6 V em um atomizador de 2,2 Ohm resulta em uma configuração de potência de 16 Watts, para um atomizador primitivo que talvez não exista nos últimos 10 anos. Apesar disso, as temperaturas em uma bobina totalmente úmida foram < 200oC. Com uma bobina seca eles estavam > 1000oC, é claro.

O outro estudo que eles citam (https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1438463916000158) usou um consumidor que identificou baforadas secas a 20W (eles usaram um atomizador reconstruível Kayfun). Mesmo assim, eles não mencionam se pediram ao consumidor para dar baforadas com a mesma duração usada no experimento. Além disso, suas medições de temperatura não eram totalmente confiáveis, pois as mediam em um fio de nicromo exposto e pavio de algodão (retiraram o tanque), sem qualquer fluxo de ar!!! Isto é totalmente irrelevante para as condições de utilização do mundo real e é muito claro que o fluxo de ar é crucial para manter as temperaturas baixas. Ao medir os aldeídos, eles usaram uma máquina de fumar e, em comparação com cigarros de tabaco, encontraram 2 a 32 vezes menos formaldeído e 600-2100 vezes menos acetaldeído.”

leia também

Ciência e saúde

Sachês de nicotina: o que são, como funcionam e o que a ciência diz

Sachês de nicotina estão no centro de um debate global sobre saúde pública, regulamentação e redução de danos do tabagismo. Entenda o que são, como funcionam, o que a ciência diz sobre seus riscos e por que países como Suécia e Estados Unidos já regulamentaram esses produtos enquanto o Brasil ainda discute o tema.

Leia mais »
Conteúdo geral

Dia Mundial do Vape e Dia Mundial Sem Tabaco: Um novo símbolo para a Redução de Danos

Símbolo universal para representar a estratégia de Redução de Danos do Tabagismo foi criado de forma independente por consumidores e é lançado em celebração às duas datas.

Leia mais »
Conteúdo geral

Uma lição sobre regulação vs. proibição vem de um lugar inesperado: as prisões de Oklahoma

Proibição do tabaco em prisões de Oklahoma gerou mercado ilegal e violência. Estado passou a permitir vapes e nicotina regulada, mostrando que regular controla melhor do que proibir.

Leia mais »
Ciência e saúde

Estudo brasileiro que associava vape ao câncer é retratado e gera constrangimento acadêmico internacional

Retratação ocorreu após críticas de especialistas internacionais que apontaram falhas metodológicas e interpretações questionáveis dos dados.

Leia mais »
Conteúdo geral

O FMI reconhece: impostos sobre nicotina devem refletir o risco real de cada produto

Um artigo do Fundo Monetário Internacional afirma que impostos sobre produtos nocivos devem refletir o grau de dano que causam. No caso da nicotina, isso significa tributar alternativas de menor risco — como vape, tabaco aquecido e sachês de nicotina — abaixo do cigarro, preservando a diferença de preço que incentiva fumantes a migrar para opções menos nocivas.

Leia mais »
Ciência e saúde

Sachês de nicotina começam a chegar ao Brasil: o que a ciência diz sobre riscos e regulação

Sachês de nicotina começam a surgir no Brasil sem regulamentação, enquanto estudo científico indica baixo risco e potencial na redução de danos.

Leia mais »

pesquisas científicas

Visite nossa Biblioteca RDT e confira dezenas de trabalhos acadêmicos sobre Redução de Danos do Tabagismo.

Mais de 550 Referências Científicas Sobre Redução dos Danos do Tabagismo

19/12/2025

Conjunto de evidências compilado a partir de pesquisas conduzidas por universidades, centros acadêmicos, agências reguladoras, fabricantes, órgãos de saúde pública e instituições científicas de diversos países.

Leia Mais

Cigarros Eletrônicos: o que devemos saber. Revisão técnica para guiar políticas de saúde pública

23/08/2024

Trabalho pode ajudar legisladores a tomar caminhos mais adequados em relação aos produtos de redução de danos do tabagismo.

Leia Mais

Relatório mostra que cigarros eletrônicos salvaram 113 mil vidas e economizaram 176 bilhões de dólares na economia americana na última década

08/07/2024

O Direta apresenta o relatório produzido pelo Center for Black Equity (CBE), completamente traduzido ao Português.

Leia Mais

Associados

Sem taxas ou mensalidades! Basta fazer um breve cadastro e você já se torna parte de um grupo de milhares de pessoas, que buscam as melhores políticas de saúde pública, baseadas no conhecimento científico mais avançado do mundo.

Fazer login
Registrar-se

Inscreva-se em nosso newsletter

Não perca nenhuma novidade! Assine nossa newsletter e receba conteúdos exclusivos sobre redução de danos do tabagismo diretamente na sua caixa de entrada. Junte-se a nós nessa jornada pela saúde e qualidade de vida!

O Direta é uma organização associativa, não governamental e sem fins lucrativos.

Twitter Facebook Instagram Youtube Envelope

Links rápidos

  • Home
  • Área de associados
  • Mídia kit
  • Política de privacidade
  • Termos e condições

Contato

  • (41) 9 7400-8008
  • info@direta.org
Copyright © 2026 DIRETA | Todos os direitos reservados
Desenvolvido por Ferreira Studios

Utilizamos cookies para lhe entregar uma melhor experiência de navegação.

Você pode saber mais sobre eles e configurá-los .

Login

Faça seu login e acesse nossos conteúdos exclusivos

Esqueceu sua senha?

Ainda não tem conta?

Clique aqui e registre-se

Registrar-se

Preencha os dados abaixo e torne-se um associado da DIRETA

Logotipo da DIRETA - Diretório de Informações para Redução dos Danos do Tabagismo.
Desenvolvido por  GDPR Cookie Compliance
Visão geral da privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.

Cookies estritamente necessários

O cookie estritamente necessário deve estar ativado o tempo todo para que possamos salvar suas preferências de configuração de cookies.