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O que o FDA decidiu sobre os sachês ZYN?
Em 30 de junho de 2026, o FDA emitiu ordens de risco modificado para a Swedish Match USA, fabricante da marca ZYN, autorizando 20 produtos, divididos entre dez sabores em duas concentrações de nicotina (3mg e 6mg), a serem vendidos com a seguinte alegação: “usar ZYN em vez de cigarros coloca o consumidor em menor risco de câncer de boca, doença cardíaca, câncer de pulmão, derrame, enfisema e bronquite crônica.”
Segundo Bret Koplow, diretor interino do Centro de Produtos de Tabaco do FDA, a revisão de produtos com risco modificado tem como objetivo garantir que adultos usuários tenham informações claras e baseadas em ciência sobre os danos relativos dos produtos de tabaco, permitindo decisões informadas.
É importante destacar que essa autorização é específica para esses 20 produtos, não para a categoria de sachês de nicotina como um todo. Os produtos já estavam autorizados para venda nos Estados Unidos desde janeiro de 2025, e agora passam por uma camada adicional de revisão que permite a comunicação de risco reduzido ao consumidor.
Como o FDA chegou a essa conclusão?
A decisão não foi tomada de forma isolada. O FDA considerou a revisão científica completa das aplicações da Swedish Match, incluindo os riscos relativos à saúde dos usuários, a compreensão do consumidor sobre a alegação, dados sobre risco de uso por menores de idade e o potencial impacto sobre a população em geral. A agência também levou em conta as recomendações de um comitê consultivo científico reunido em janeiro de 2026, além de comentários públicos e outras informações científicas disponíveis.
A autorização também exige que a empresa conduza estudos de vigilância pós-comercialização, avaliando o comportamento dos usuários e a compreensão das informações de risco. As ordens expiram em cinco anos e podem ser revogadas caso a agência identifique, por exemplo, um aumento significativo no uso por adolescentes.
Por que isso importa para o debate regulatório no Brasil?
O FDA é amplamente reconhecido como uma das agências regulatórias mais rigorosas do mundo, com processos de avaliação científica extensos e exigências documentais elevadas para qualquer alegação de redução de risco. Não se trata de uma liberação genérica, mas de uma autorização condicionada, monitorada e sujeita a revisão constante.
Esse tipo de decisão é relevante para o debate brasileiro por um conceito chamado convergência regulatória, prática pela qual agências de um país observam e levam em consideração as decisões técnicas tomadas por outras agências reconhecidas internacionalmente, como o próprio FDA. A convergência regulatória pode ajudar a Anvisa a acelerar e qualificar suas próprias análises técnicas, sem precisar repetir do zero todo o processo de avaliação científica já realizado em outros mercados.
A Anvisa, ao analisar as informações coletadas em sua consulta pública sobre produtos de nicotina, terá diante de si um cenário internacional cada vez mais consolidado: países que já regulam, monitoram e estudam os sachês de nicotina, ao invés de simplesmente proibi-los.
Sachês de nicotina já têm regulamentação em outros países
O Brasil não é o único país que precisa decidir como tratar esses produtos, mas é um dos poucos que ainda não criou uma estrutura regulatória própria para eles. Enquanto isso, o mercado ilegal de sachês de nicotina segue crescendo no país, sem qualquer controle de qualidade, idade mínima de venda ou fiscalização sanitária.
| País ou região | Situação regulatória dos sachês de nicotina |
|---|---|
| Estados Unidos | Produtos avaliados e autorizados pelo FDA, incluindo alegações de risco modificado |
| União Europeia | Regulamentação varia por país membro, com venda permitida e regulada em diversos mercados |
| Brasil | Comercialização não regulamentada, produtos circulam de forma irregular |
Qual o risco de a Anvisa repetir o caminho do vape?
A Anvisa proibiu a venda de cigarros eletrônicos no Brasil em 2009, e essa proibição segue em vigor até hoje, mesmo com o crescimento expressivo do mercado ilegal desses produtos no país. A literatura disponível sugere que, em mercados onde a proibição foi adotada como estratégia central, o resultado observado tende a ser o fortalecimento do comércio informal, sem o controle de qualidade ou a fiscalização que uma regulamentação permitiria.
Com os sachês de nicotina, a Anvisa tem a oportunidade de tomar uma decisão diferente. A consulta pública recém encerrada foi um passo importante para reunir dados técnicos. Mas, diante de um cenário internacional onde agências como o FDA avançam justamente na direção da regulamentação e do monitoramento desses produtos, uma eventual proibição brasileira tende a parecer cada vez mais isolada e difícil de justificar tecnicamente perante a comunidade científica internacional.
Conclusão
A autorização do FDA para os sachês ZYN reforça um movimento internacional de regulamentação baseada em evidências para produtos de nicotina sem combustão. Para o Brasil, o episódio chega em um momento simbólico, logo após o encerramento da consulta pública da Anvisa sobre o tema. Resta saber se a agência brasileira vai aproveitar esse acúmulo de dados internacionais para construir uma regulamentação própria, ou se vai repetir o modelo de proibição já adotado com os cigarros eletrônicos, com os mesmos riscos de fortalecer um mercado ilegal sem qualquer controle.





