Buscas relacionadas aos produtos cresceram 1.200% em um ano, enquanto o país ainda discute como regulamentar a categoria.
A mídia brasileira começa a identificar um movimento que já aparece nas pesquisas na internet: o interesse dos brasileiros pelos sachês de nicotina está crescendo rapidamente.
Segundo levantamento repercutido pelo portal Viva, as buscas por termos como “sachês de nicotina”, “pouches” e “snus” aumentaram 1.200% no Google Trends nos últimos 12 meses. Santa Catarina liderou o crescimento, com alta de 610%, seguida por São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Os números não revelam quantas pessoas utilizam esses produtos, mas mostram que uma categoria até pouco tempo desconhecida começa a despertar a curiosidade do público e a ganhar espaço na imprensa.
Algoritmos antecipam mudanças de comportamento
Ferramentas de análise de buscas, monitoramento de redes sociais e inteligência artificial permitem identificar mudanças de interesse antes mesmo que elas apareçam nas pesquisas oficiais de consumo.
No caso dos sachês, o crescimento das buscas funciona como um sinal de alerta. O interesse está avançando enquanto o Brasil ainda não possui regras específicas para controlar a fabricação, a composição e a comercialização desses produtos.
O cenário lembra o início da expansão dos cigarros eletrônicos. Se as ferramentas atuais estivessem disponíveis e fossem amplamente utilizadas em 2010, provavelmente mostrariam um movimento semelhante: aumento da curiosidade, crescimento das buscas, expansão do mercado informal e maior presença do assunto na mídia.
Os vapes foram proibidos para comercialização no Brasil, mas a demanda não desapareceu. Os produtos continuaram circulando sem controle sanitário, fiscalização adequada ou garantia sobre sua procedência. Com os sachês de nicotina, há sinais de que essa história pode se repetir.
Presidente do DIRETA alerta para o mercado clandestino
A reportagem também destaca a atuação do DIRETA — Diretório de Informações para Redução dos Danos do Tabagismo no debate nacional sobre os sachês de nicotina.
Ouvido pelo portal, o presidente da organização, Alexandro Lucian, alertou para as consequências da ausência de regulamentação:
“Não existe proteção em um mercado clandestino.”
Segundo Lucian, quando o Estado deixa de regulamentar, os consumidores ficam expostos a produtos sem controle de qualidade, enquanto comerciantes ilegais atuam sem cumprir regras sanitárias, restrições de idade ou obrigações tributárias.
A participação do presidente do DIRETA em uma reportagem de alcance nacional reforça o papel da organização na defesa de um debate baseado em evidências, com fiscalização, proteção aos consumidores e controle de acesso por menores de idade.
Anvisa começou a avaliar a categoria
Em maio de 2026, a Anvisa iniciou uma consulta para reunir informações sobre produtos emergentes à base de nicotina, incluindo bolsas, sachês e tiras. Os dados recebidos poderão subsidiar uma futura Análise de Impacto Regulatório dentro da Agenda Regulatória 2026–2027.
O crescimento de 1.200% nas buscas reforça a necessidade de o país acompanhar o fenômeno antes que o mercado clandestino esteja consolidado. Uma eventual regulamentação poderia estabelecer limites de nicotina, padrões de fabricação, advertências, idade mínima para compra e regras de publicidade e comercialização.
O que são sachês de nicotina?
Os sachês de nicotina, também conhecidos como nicotine pouches, são pequenas bolsas de uso oral. Geralmente, contêm fibras vegetais, aromatizantes, reguladores de pH e nicotina purificada, sem folhas de tabaco.
Eles são colocados entre o lábio e a gengiva, onde a nicotina é absorvida pela mucosa da boca. Diferentemente do cigarro, não envolvem combustão. Também não funcionam como os vapes, pois não produzem aerossol nem são inalados.
Apesar de apresentarem um perfil diferente do cigarro convencional, os sachês contêm nicotina, podem causar dependência e não são destinados a menores de idade, gestantes ou pessoas que não utilizam nicotina.
O aumento das buscas mostra que o interesse dos brasileiros já está crescendo. Desta vez, autoridades e organizações possuem ferramentas capazes de identificar o movimento com antecedência. A questão é saber se o Brasil construirá regras antes que o mercado informal se torne, novamente, a principal fonte de acesso.
Entenda melhor a composição, o funcionamento e as evidências científicas sobre os sachês de nicotina e confira a reportagem publicada pelo portal Viva.
Perguntas frequentes
Os sachês de nicotina contêm tabaco?
Os sachês modernos geralmente não contêm folhas de tabaco. Eles utilizam nicotina purificada, fibras vegetais e outros ingredientes.
Sachê de nicotina é o mesmo que vape?
Não. O vape produz um aerossol inalado, enquanto o sachê libera nicotina pela mucosa da boca, sem aquecimento ou inalação.
Os sachês são regulamentados no Brasil?
O Brasil ainda não possui uma regulamentação específica para a fabricação e comercialização desses produtos. A Anvisa incluiu o tema em seu processo regulatório para 2026–2027.
