A atuação do DIRETA (Diretório de Informações para Redução dos Danos do Tabagismo) ganhou destaque na imprensa de Minas Gerais nesta semana. Em matéria publicada pelo portal da Rede 98 (grupo multiplataforma sediado em Belo Horizonte), o presidente Alexandro Lucian foi ouvido para analisar a explosão no interesse da população por sachês de nicotina (nicotine pouches) e as consequências da inércia regulatória no Brasil.
A matéria da Rede 98 destacou dados do Google Trends que revelam um salto expressivo na procura por termos como “sachês de nicotina”, “bolsas de nicotina”, “snus” e “pouches”: as buscas cresceram mais de 420% em Minas Gerais nos últimos 12 meses e mais de 1.200% em todo o país.
Em entrevista ao portal mineiro, Alexandro Lucian alertou para o fato de que a ausência de normas sanitárias claras não impede a busca do consumidor, mas apenas retira o controle das mãos do Estado e o entrega ao comércio informal.
“Não existe proteção em um mercado clandestino. Quando o Estado abre mão de regulamentar, entrega milhões de consumidores a quem lucra justamente por não cumprir nenhuma regra.”
— Alexandro Lucian, presidente do DIRETA, em declaração à Rede 98.
O impacto do mercado ilegal, sonegação e uso indiscriminado
Conforme ressaltado pela reportagem e reforçado pelo DIRETA, um levantamento da Escola de Segurança Multidimensional (Esem/USP) em parceria com o Instituto Ipsos aponta que cerca de 10 milhões de brasileiros já fazem uso frequente de produtos alternativos de nicotina.
A falta de uma regulamentação do comércio por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre produtos de nicotina sem combustão gera um cenário de vulnerabilidade em diversas frentes:
- Invasão de Produtos Clandestinos: A demanda consolidada passa a ser abastecida por redes informais de contrabando e vendas não fiscalizadas pela internet, sem qualquer garantia fitossanitária.
- Falta de Padrões e Controle de Qualidade: Sem regras técnicas vigentes, circulam no país sachês de procedência desconhecida, sem auditoria sobre dosagem de nicotina ou pureza dos ingredientes.
- Acesso Indiscriminado e Risco a Menores: O comércio irregular opera totalmente à margem de verificações de idade, facilitando a exposição e o acesso por menores de 18 anos.
- Sonegação de Impostos Milionária: Enquanto o mercado ilegal se expande, os cofres públicos deixam de recolher somas milionárias em tributos, recursos que poderiam financiar o próprio Sistema Único de Saúde (SUS) e campanhas de orientação.
Regulamentar para proteger: o posicionamento do DIRETA
Para o DIRETA, o modelo proibidor já se provou ineficaz. A entidade defende que a saúde pública ganha quando o Estado estabelece critérios claros de segurança, regras rígidas de rotulagem e fiscalização nos canais de venda direcionados exclusivamente a adultos.
Países que adotaram modelos regulados para produtos de nicotina sem combustão, como a Suécia, colhem hoje os menores índices de tabagismo e de doenças associadas ao fumo em todo o continente europeu.
A Anvisa concluiu recentemente a etapa de recebimento de contribuições para a Análise de Impacto Regulatório (AIR) sobre produtos orais do tipo sachês, mas não trouxe nenhuma novidade em relação aos cigarros eletrônicos, proibidos desde 2009 e com a proibição mantida em 2024. O DIRETA continuará municiando a imprensa e os tomadores de decisão com evidências científicas que protejam a sociedade e respeitem os direitos dos consumidores adultos.
Referência:
REDE 98. Buscas por sachês de nicotina crescem mais de 420% em Minas Gerais no último ano. Disponível em: https://rede98.com.br/noticias/minas-gerais/buscas-por-saches-de-nicotina-crescem-mais-de-420-em-minas-gerais-no-ultimo-ano/. Acesso em: 26 jul. 2026.



