Trabalho de: Paul T. Harrell, Nicholas T. Williams, Kara E. Rudolph, Rachel Ayala Guzman, Ateeqa Ijaz, Nicole Rychagov, Aaron Null e Silvia S. Martins.
Artigo original: Causal effect estimates of online e-cigarette marketing exposure on future e-cigarette harm perception and use. Drug and Alcohol Dependence Reports, Volume 19, artigo 100436, junho de 2026.
Tipo de estudo: Artigo original — análise longitudinal com métodos de inferência causal.
DOI: https://doi.org/10.1016/j.dadr.2026.100436
Link do artigo: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42094718/
Publicado em: 15 de abril de 2026;
“Após o ajuste para possíveis variáveis de confusão adicionais que mudam ao longo do tempo, as estimativas pontuais ficaram próximas de uma associação nula, e os intervalos de confiança de 95% incluíram o valor nulo.”
Resumo
Contexto: Mais de 10 milhões de jovens usam cigarros eletrônicos em todo o mundo. Nos Estados Unidos, em particular, o uso desses produtos aumentou de forma acentuada no final da década de 2010, superando os aumentos anuais observados para qualquer outra substância em mais de quatro décadas. Esse crescimento tem sido parcialmente atribuído à exposição dos jovens ao marketing online de cigarros eletrônicos, mas essa relação ainda não havia sido estudada adequadamente.
Métodos: Foram analisados dados de jovens participantes do estudo Population Assessment of Tobacco and Health (PATH), abrangendo o período de forte crescimento do uso de cigarros eletrônicos — ondas 4, 4.5 e 5, realizadas entre 2016 e 2019. Os pesquisadores estimaram as diferenças médias de risco (DR) para a percepção dos danos dos cigarros eletrônicos e para o uso desses produtos na onda 5, comparando dois cenários: um em que todos os jovens, e outro em que nenhum jovem, relatavam exposição, no mês anterior, ao marketing online de cigarros eletrônicos nas ondas 4 e 4.5. Para estimar as diferenças de risco, foi utilizado um estimador não paramétrico, duplamente robusto, baseado na minimização direcionada da perda — targeted minimum loss-based estimator (TMLE) —, incorporando os pesos amostrais do PATH. As análises iniciais foram ajustadas para características demográficas, problemas de saúde mental e outras formas de marketing de cigarros eletrônicos. As análises posteriores também foram ajustadas para frequência de uso das redes sociais, consumo de outras substâncias e uso de produtos de tabaco diferentes dos cigarros eletrônicos.
Resultados: Nas análises iniciais, a exposição ao marketing online esteve associada a uma redução de 9% na percepção de que os cigarros eletrônicos são prejudiciais (DR = −0,09; IC de 95%: −0,12 a −0,05), equivalente a uma razão de risco (RR) de 0,85 (IC de 95%: 0,80 a 0,91). Também esteve associada a um aumento de 4% no uso atual de cigarros eletrônicos (DR = 0,04; IC de 95%: 0,02 a 0,06; RR = 1,36; IC de 95%: 1,15 a 1,62). No entanto, após o ajuste para outras possíveis variáveis de confusão que mudam ao longo do tempo, as estimativas pontuais ficaram próximas de uma associação nula, e os intervalos de confiança de 95% incluíram o valor nulo.
Conclusões: A frequência de uso das redes sociais, o consumo de outras substâncias e o uso de produtos de tabaco podem ser importantes variáveis de confusão na relação entre o marketing e o uso de cigarros eletrônicos. Essas variáveis precisam ser investigadas de forma mais aprofundada.
Palavras-chave: Inferência causal; cigarros eletrônicos; marketing; diferença de risco; vaping; jovens.
