Autores: Pasquale Caponnetto, Jennifer DiPiazza, Jason Kim, Marilena Maglia e Riccardo Polosa
Periódico: Nicotine & Tobacco Research
Tipo de estudo: Estudo piloto e de viabilidade, aberto e de braço único
Publicação: 16 de março de 2021
Volume e edição: v. 23, n. 7, jul. 2021, p. 1113–1122
DOI: https://doi.org/10.1093/ntr/ntab005
Link: https://www.coehar.org/electronic-cigarettes-help-smokers-with-schizophrenia-quit
Resumo
Introdução
Estima-se que entre 60% e 90% das pessoas com esquizofrenia fumem, em comparação com 15% a 24% da população geral. Essa diferença agrava as taxas já elevadas de adoecimento e mortalidade observadas nesse grupo.
Objetivos e métodos
O estudo teve como objetivo avaliar a viabilidade do uso de um cigarro eletrônico de nova geração, com alta concentração de nicotina, para modificar o comportamento de pessoas com transtornos do espectro da esquizofrenia que fumavam cigarros convencionais.
Foi realizado um estudo piloto de braço único com 40 adultos que fumavam e não pretendiam reduzir nem abandonar o consumo de cigarros. Os participantes receberam um dispositivo JUUL e cápsulas com concentração de 5% de nicotina, em quantidade suficiente para 12 semanas.
O principal desfecho analisado foi a cessação do tabagismo ao final da 12ª semana. Os pesquisadores também avaliaram a redução do consumo, a abstinência contínua na 24ª semana, a taxa de adoção do dispositivo, a adesão ao cigarro eletrônico, a viabilidade e a aceitabilidade da intervenção, além dos efeitos relatados pelos participantes.
Resultados
Ao final das 12 semanas, 16 participantes, equivalentes a 40% da amostra, haviam parado de fumar.
Considerando todo o grupo, 37 dos 40 participantes, ou 92,5%, apresentaram redução sustentada de pelo menos 50% no consumo de cigarros ou alcançaram a abstinência.
Também foi observada uma redução geral de 75% na mediana de cigarros consumidos por dia, que passou de 25 para seis ao término das 12 semanas. O resultado foi estatisticamente significativo (p < 0,001).
Conclusões
Os cigarros eletrônicos com alta concentração de nicotina apresentam potencial para ajudar pessoas com transtornos do espectro da esquizofrenia a parar de fumar ou reduzir o consumo de cigarros convencionais.
Os autores ressaltam, entretanto, que são necessários novos estudos com amostras maiores e um grupo de comparação. Os resultados oferecem informações úteis para ampliar o conhecimento disponível sobre intervenções voltadas à cessação do tabagismo nessa população.
Implicações
Como a maioria das pessoas com transtornos do espectro da esquizofrenia continua fumando, são necessárias, com urgência, intervenções alternativas e eficazes que possam reduzir ou prevenir doenças e mortes associadas ao tabagismo.
O estudo mostrou que adultos que fumavam e não estavam motivados a parar reduziram substancialmente o consumo de cigarros após receberem um cigarro eletrônico de nova geração com alta concentração de nicotina, sem a ocorrência de efeitos adversos significativos.
Embora a absorção de nicotina não tenha sido medida especificamente nesta pesquisa, estudos anteriores indicam que os dispositivos mais recentes fornecem nicotina de maneira mais eficiente do que os cigarros eletrônicos de primeira geração. Segundo os autores, essa diferença pode ajudar a explicar as menores taxas de cessação observadas em pesquisas que utilizaram dispositivos mais antigos.
