“Para entender onde estamos, é preciso olhar de onde viemos, especialmente se nos preocupamos com para onde queremos ir.”
Me arrependo de poucas coisas na vida, afinal de contas até as péssimas decisões acabam sendo aprendizados valiosos, mas quando olho para o meu passado, se tem uma coisa que eu realmente gostaria de mudar, é me ver ainda bem jovem, tomando uma das decisões mais estúpidas da minha vida: começar a fumar.
E apesar de lembrar que meu primeiro cigarro não foi a coisa mais agradável do mundo, mesmo assim me tornei um fumante. No início ignorei o gosto ruim e fumei meu segundo cigarro, depois o terceiro e assim me tornei dependente. Ter insistido pode parecer estranho, mas em minha defesa, era um tempo diferente e todo mundo fumava: meu pai, minha mãe, o amigo, o vizinho, gente na TV e nos filmes, era o que as pessoas faziam. A partir dali, o cigarro virou meu companheiro, como acontece com todo fumante, passando a ser um dos meus prazeres da vida e me levando a um vício que durou quase duas décadas.
Quem entende um pouco sobre nicotina sabe que o “prazer” de fumar é uma dicotomia entre fazer algo que percebemos ser “gostoso”, ao mesmo tempo que estamos somente cobrindo o sol com a peneira. O ato de fumar não é nada mais do que apaziguar os mecanismos de recompensa que nosso cérebro estabeleceu por causa da substância. Nosso “normal” passa a ser somente após um cigarro, enquanto sem fumar, parece que o mundo é um lugar muito pior.
Esse é um dos pontos que só quem depende de algo (e sabe disso) consegue entender. Muitas pessoas sequer percebem o quão dependentes são de alguma coisa. Algumas são óbvias, como o álcool, outras nem tanto, como um relacionamento ou a até a academia. Quando um hábito repetitivo começa a se tornar prejudicial de alguma forma, a dependência vira vício e vício causa danos.
Seja em um relacionamento abusivo de codependência ou até naquela neura na busca pelo corpo perfeito e a aceitação dos outros, qualquer exagero na vida não é saudável, até água demais faz mal.
Mas foi por causa do cigarro que acabei aqui e por pior que ele seja, merece figurar nessa parte da história.

Mas meu caminho até digitar essas palavras começou realmente em 2015, quando fumava mais de 3 maços de cigarros por dia e não conseguia parar. Além da força de vontade, que sempre me falhou miseravelmente, tentei todas as muletas que eram recomendadas na época: adesivos, gomas de mascar, remédio e tratamento psicológico. Nada adiantou.
Já havia desistido de tentar parar de fumar, até que um dia conheci o vape, mais conhecido no Brasil como cigarro eletrônico, que de “cigarro” já não tem a mínima relação, mas que nossa Anvisa insiste em chamar de DEFs: Dispositivos Eletrônicos para Fumar, e que de “fumar” também não têm absolutamente nada, já que não produzem fumaça e sim um aerosol, algo bem diferente, o que é igual dizer que dirigimos aviões ou bebemos um bife. Era de se esperar que nossa agência reguladora de produtos como remédios e alimentos fosse técnica e precisa, mas esse não é o caso.
No dia em que tive em mãos meu primeiro vape, comprado diretamente pela internet e entregue em meu endereço, dos 60 cigarros que fumei no dia 29 de maio de 2015, no dia 30 já não fumei mais nenhum, e assim isso me mantenho por mais de 10 anos.
Naquela altura do campeonato, eu aceitaria qualquer coisa para parar de fumar e certamente nada seria tão prejudicial quanto um cigarro. Optei pelo vape porque ele funcionou imediatamente e isso atiçou minha curiosidade de leitor ávido e pesquisador nato. Sempre gostei de estudar sobre as coisas do mundo e com isso não foi diferente, afinal de contas, me fazer parar de fumar parecia um milagre.
Com o passar das semanas e minha saúde melhorando a passos largos, respirando melhor, sentindo o sabor das coisas, não fedendo mais e chegando a ter mais fôlego para tarefas básicas, mergulhei no mundo que depois entendi se chamar “redução de danos”. Uma estratégia de sucesso amplamente usada nas coisas mais corriqueiras, mas da qual muita gente sequer se dá conta.
Se você dirige, certamente usa a redução de danos, na forma do cinto de segurança. Um presente da Suécia para o mundo, invenção da Volvo que não cobrou royalties ao distribuir o sistema gratuitamente para todas as montadoras do mundo, ajudando a diminuir incontáveis mortes e lesões em acidentes. Hoje em dia não dá pra pensar em dirigir sem cinto, mesmo sabendo que ele não é garantia de manter você a salvo em todas as situações.
Isso é redução de danos, quando o comportamento não pode ser impedido, o façamos com o menor risco possível. Não há outra forma, pois a alternativa seria proibir os carros. Aplicamos isso nos refrigerantes sem açúcar, no adoçante, ao beber água entre um drink e outro ou ao usar drogas cercado de amigos de confiança e muitas outras situações. Tudo isso são atitudes que não levam em consideração o “não fazer” e sim o “fazer com a menor chance de riscos e danos possível”.
Foi a estratégia de redução de danos, aplicada ao uso de seringas e preservativos, que teve um estrondoso sucesso na década de 90 no Brasil e virou exemplo para o mundo, mas não sem polêmica. No início, profissionais de saúde e pessoas ligadas ao movimento de distribuição de seringas foram criticados e acusados de incentivar o uso e fazer apologia às drogas. Pessoas foram presas e processadas. Hoje, a OMS – Organização Mundial da Saúde parabeniza as mesmas pessoas que um dia foram obrigadas a fugir da polícia.
E lá estava eu, em 2015, mergulhando na literatura científica sobre nicotina e cigarros eletrônicos e lendo sobre redução de danos para o tabagismo. Pesquisas, revisões e organizações científicas de renome já falavam sobre esses tais aparelhos que imitavam o ato de fumar, entregavam nicotina sem combustão e estavam fazendo o maior sucesso entre fumantes.
Por aqui no Brasil, quase não havia informação e ninguém da mídia se importava, tampouco o governo ou o público em geral. Eram poucos consumidores, mesmo havendo uma proibição do comércio pela RDC 46/2009 da Anvisa, que sequer falava em fabricação. Sim, durante muito tempo, mesmo com o comércio proibido, era tecnicamente permitido fabricar vapes e produtos derivados, só não podia vender, uma lacuna estranha de uma legislação que parecia ter sido feita às pressas.
Com o passar do tempo, descobri que a OMS não apoiava a redução de danos para tabagismo (apesar de apoiar para drogas e álcool) e isso parecia ser um fator determinante para definir o pensamento de muitas organizações de saúde tradicionais, inclusive algumas conectadas ao governo brasileiro, o que influenciou o que aconteceu no Brasil de lá pra cá. Para eles, a única estratégia é a abstinência ou no máximo o uso de medicamentos e produtos vendidos em farmácias, seguindo os mantras definidos pela OMS. Vapes e sachês de nicotina não entram nessa conta, não importa o quanto a ciência aponte o papel fundamental que esses produtos têm mostrado na diminuição do tabagismo em diversos países e consequentemente nas doenças e mortes.
Ao que tudo indica, o principal motivo da OMS não apoiar a redução de danos do tabagismo é porque esses produtos também entraram no portfolio de quem fabrica cigarros. Acabar com a indústria parece ser mais importante, mesmo que isso custe prejudicar milhões de pessoas adultas ao impedir que tenham acesso a produtos mais seguros.
No final de 2015 eu já estava ajudando muitas pessoas a entenderem sobre o tal de vape, em comentários e posts nas mídias sociais. Sempre gostei de ajudar, porém dar as mesmas respostas para as mesmas perguntas estava se tornando cansativo, então percebi que era mais fácil ter um site para isso, e pela primeira vez na vida, decidi escrever para a internet. Assim nasceu o www.vaporaqui.net.
O que começou como um simples blog para contar minha história hoje é uma revista virtual, única do tipo em língua portuguesa, com mais de 300 artigos publicados e muito material técnico e científico. Mas no começo, eu só queria explicar para os outros como é que as coisas funcionavam, conforme eu mesmo ia descobrindo.
Então mais e mais pessoas começaram a usar os produtos e o assunto chegou à mídia, ao governo e à boca do povo (trocadilho intencional). Por quê? Porque vapes funcionam para substituir o cigarro, mesmo os ilegais e contrabandeados. Simples assim. Vapes são muito parecidos com fumar, entregam nicotina e têm sabor agradável.
Quando regulados e controlados, com registro sanitário e normas de fabricação, oferecem um impacto muito menor na saúde. Não é à toa que a Cochrane, uma das organizações científicas de maior credibilidade do mundo, coloca os cigarros eletrônicos com nicotina entre as formas mais eficazes já estudadas para parar de fumar. A ciência já cansou de dizer que não são produtos inofensivos (e ninguém diz que são), mas em uma escala de risco, os vapes oferecem apenas uma pequena fração do risco dos cigarros a combustão.
Não vou entrar nesse assunto neste artigo, mas aqui no Direta há muito material científico para você comprovar essa afirmação, basta usar a pesquisa ou visitar nossa Biblioteca.
Entretanto, no Brasil, nunca existiu qualquer controle sanitário, de qualidade ou segurança para esses produtos. Tudo o que já foi e é consumido por aqui é uma incógnita. Um vape consumido no Brasil pode ter origem de uma fábrica legalizada no Paraguai, na China ou nos EUA, mas também pode ter sido fabricado no fundo de um quintal, estar contaminado e conter substâncias impróprias para consumo. Esse é o problema do contrabando. Então, infelizmente, por aqui, não dá pra dizer que o vape é menos prejudicial do que fumar. Pelo contrário, para os brasileiros, o vape é uma bomba-relógio, um duplo desperdício de oportunidade. Deixamos de controlar produtos mais seguros para consumo de nicotina e os entregamos exclusivamente na mão do mercado ilegal, os tornando potencialmente piores do que os cigarros a combustão, que matam 8 milhões de pessoas todos os anos no mundo.
E assim ao longo dos anos, vi em primeira mão, quase em câmera lenta, o país mergulhar numa crise sanitária, com cada vez mais consumidores adultos usando produtos sem qualquer controle sanitário, enquanto testemunhava um aumento constante na experimentação por menores de idade, que já chegou a quase 30% de acordo com a PeNSE 2024. Quem vende ilegalmente não segue regras nem se importa com a idade de seus consumidores. Isso criou um mercado clandestino bilionário que fomenta a violência e financia outros crimes.
O mais irônico é que, quem defende a proibição desses produtos, o faz usando principalmente o argumento da proteção dos jovens, quando na verdade, é quem mais tem contribuído para agravar o problema.
Foi por isso que decidi fundar o Direta.org em 2021, para buscar uma regulamentação de produtos de nicotina sem combustão, através de ações que só uma organização formal pode realizar, já que consumidores independentes, na maioria das vezes, são ignorados, apesar de ser para eles que as políticas públicas de tabagismo deveriam ser voltadas.
Apesar de pequena e sem recursos, o Direta já realizou ações importantes, entre protestos, participação em consultas públicas, publicação de relatórios técnicos, diálogos com o poder público e sinto especial orgulho de quando intercedemos junto a ANAC – Agência de Aviação Civil, pedindo a reversão da proibição do transporte de vapes em voos nacionais para uso pessoal, fruto de uma interpretação equivocada da nova resolução da Anvisa, culpa de um texto regulatório mal feito.
O Direta é uma organização pautada na ciência acima de tudo. Tudo o que divulgamos tem fonte e passa por uma curadoria cuidadosa, para garantir que a informação tenha credibilidade e seja confiável. Não acredito no argumento de autoridade, e você não deve confiar cegamente no que falo somente por causa do meu currículo, por quem eu digo que sou ou pelo que digo saber. Espero que você tenha senso crítico e busque a fonte de cada notícia para, então, tirar suas próprias conclusões. É o que espero que você faça com tudo na vida, especialmente nos dias de hoje, com tanta fake news por aí.
Se fizer isso, saberá que não há alternativa melhor do que uma regulamentação. Há evidência demais disso. Basta se debruçar na literatura científica.
Cigarros eletrônicos, sachês de nicotina e tabaco aquecido são produtos muito menos prejudiciais do que fumar, não há dúvidas. Esse é o ponto que trata de redução de danos à saúde. Mas há outro, tão importante quanto, que é o da segurança pública. Mesmo se fossem produtos tão prejudiciais quanto os cigarros, que são regulados e permitidos em todo o Brasil, não existe proteção em um mercado clandestino. Quando o Estado abre mão de regulamentar, entrega milhões de consumidores a quem lucra justamente por não cumprir nenhuma regra.
Mas foi essa dinâmica que a Anvisa escolheu manter, ao fazer uma análise regulatória iniciada ainda em 2019 para revisar sua regra antiga lá de 2009, prometendo uma avaliação técnica e pragmática, mas aprovando um relatório que apoiava a proibição em 2022 e, mesmo assim, realizando, entre 2023 e 2024, uma consulta pública em que a maioria respondeu ser contrária à manutenção da proibição.
O Direta acompanhou de perto todo esse processo, enviando contribuições, material técnico, dados robustos, fazendo reuniões com os diretores e até realizando protestos com consumidores na frente da sede da Anvisa em Brasília. No final, a ciência foi ignorada, informações sem fundamento científico foram divulgadas e tudo foi definido por um relatório que adotou uma abordagem ideológica, longe de qualquer bom senso.

O Brasil já pagou caro demais por insistir em uma política que não reduziu o consumo, apenas eliminou o controle, enquanto a maioria dos países desenvolvidos já optou pela regulamentação como caminho mais eficaz de proteção. Suécia, Canadá, Europa, Japão, Nova Zelândia e, mais recentemente, o Chile e a Argentina se juntam ao rol de nações que tomaram decisões baseadas em evidências e não em interesses comerciais ou políticos, para beneficiar sua população e especialmente proteger os jovens.
E agora, surgem os sachês de nicotina. Produtos que os brasileiros ainda conhecem pouco, mas isso deve mudar rapidamente. Aqui no Direta temos muito conteúdo sobre isso, mas resumindo, são pequenas bolsas que contêm uma mistura de aromatizantes e nicotina, colocadas na gengiva, que entregam a nicotina de forma gradual e têm impacto na saúde muito menor do que o dos cigarros, sendo, em uma escala de risco, menos prejudiciais até do que os vapes.
A mídia tem noticiado que pesquisas no Google por palavras-chave relacionadas a esses produtos aumentaram mais de 1.200%. O crescimento foi maior em Santa Catarina (610%), depois São Paulo (580%), Rio Grande do Sul (530%) e Rio de Janeiro (480%). Os brasileiros estão curiosos em saber o que são esses tais sachês de nicotina, nada anormal, já que faz algum tempo que eles têm aparecido no mercado clandestino. Os mesmos sites que antes vendiam vapes ilegais hoje também vendem esses sachês e até já vi propagandas no TikTok e no Instagram de marcas que se dizem brasileiras.
Se, em 2015, época em que eu parei de fumar graças aos vaporizadores, tivéssemos as inteligências artificiais, os algoritmos e mecanismos que temos hoje, com certeza veríamos a mesma tendência naquele tempo para os vapes: as pessoas estavam procurando saber o que eram, como funcionavam e onde comprar. O primeiro registro que temos do número de consumidores de vapes foi em 2018, pelo IPEC, que estimou menos de 500 mil pessoas usando. Em 2015, deveria haver menos ainda. Hoje, dados do 1º Levantamento Nacional sobre a Demanda de Bens e Serviços Ilícitos no Brasil, realizado pela Escola de Segurança Multidimensional (ESEM-USP), em parceria com a Ipsos Brasil, indicam que cerca de 10 milhões de brasileiros adultos consumiram cigarros eletrônicos nos três meses anteriores à pesquisa.
São 10 milhões de pessoas usando produtos que ninguém faz ideia de como são fabricados e do que contêm. Isso em um ambiente de total proibição, em que você não é autorizado sequer a entrar no país com um produto de uso próprio, mesmo usado, comprado em um país que regulamentou e tem controle sanitário sobre esses produtos. Basicamente a Anvisa entregou o monopólio ao mercado ilegal.
Como eu já disse, esses produtos são substitutos diretos para os cigarros a combustão e quem já fuma ou tem a tendência de querer começar a fumar tem grandes chances de procurar esses produtos, legalizados ou não. Veja o caso da Austrália. Por lá, o acesso ao vaping é extremamente limitado, em um sistema exclusivo de venda em farmácias, com consulta obrigatória ao farmacêutico e, em alguns casos, prescrição médica. Mas a Pesquisa Domiciliar da Estratégia Nacional sobre Drogas de 2025 mostrou que apenas 7,3% dos consumidores obtiveram seus vapes em farmácias físicas ou on-line, o único canal legal de venda no país. Os outros 93% conseguiram os produtos por outras fontes, sendo que metade comprou em tabacarias, que são proibidas de vender qualquer tipo de vape.
Recentemente a Anvisa abriu uma consulta dirigida e iniciou seu processo de análise regulatória para os sachês de nicotina, já que matou e enterrou os vapes em 2024 ao manter uma proibição que não faz qualquer sentido, seja do ponto de vista da saúde, seja do da segurança pública e não há indícios de revisar esse posicionamento. Se o processo com os vapes me ensinou algo, é que não dá para prever o que a agência vai fazer e, com certeza, não podemos contar com a ciência sendo seguida à risca. Resta saber se teremos mais uma proibição, cujos resultados os vapes já mostraram quais são, ou se, finalmente, o Brasil vai dar um passo no avanço de suas políticas públicas de saúde.
É com muita inveja que olho para o mundo fora do Brasil, ao ver meu país ignorar a ciência e caminhos já comprovados, enquanto outros países estão cada vez mais tomando decisões de regulamentar produtos sem combustão, como cigarros eletrônicos, tabaco aquecido e sachês, resultando em consequências positivas medidas nos números. Ao controlar o mercado, combater a ilegalidade, proteger consumidores adultos e especialmente os menores de idade, a Suécia, por exemplo, se tornou o primeiro país do mundo considerado livre do fumo, com 3,7% de fumantes diários em 2025, de acordo com o Conselho Sueco de Informação sobre Álcool e Outras Drogas (CAN), principal centro de conhecimento do país sobre álcool, drogas, tabaco e nicotina. Assim como o cinto de segurança que mencionei lá atrás, a Suécia descobriu também um caminho para diminuir mortes e danos em outro comportamento de risco, o consumo de nicotina.
Os resultados aparecem na saúde: em 2022, a Suécia foi o único país da União Europeia com uma taxa de mortalidade por câncer de pulmão inferior a 35 mortes por 100 mil habitantes, registrando uma taxa cerca de 32% menor do que a média do bloco. Entre os homens, a diferença chegou a 54%. Tudo isso apesar de os suecos continuarem consumindo nicotina em níveis muito parecidos com os de seus países vizinhos. Entretanto, por lá, a nicotina é consumida principalmente através de produtos cujo impacto na saúde é muito menor.
Exatamente: o problema não é a nicotina, nunca foi, e sobre isso também temos muito material aqui no Direta, se quiser pesquisar. Em resumo, a nicotina, quando isolada do cigarro a combustão, cria dependência, mas não causa grandes males à saúde.
A defesa de uma regulamentação que permita um mercado controlado dos produtos de nicotina sem combustão deveria ser pauta de todas as organizações de saúde, se estas têm em sua missão a melhora da saúde pública. Qualquer movimento contrário indica falta de informação (e consequentemente incompetência) ou defesa de interesses próprios em detrimento da população (o que para mim é falta de caráter). Não há outra alternativa.
Eu desejo que os brasileiros tenham os mesmos benefícios que os suecos, ingleses, japoneses e tantos outros, pois também merecemos ter políticas de saúde pública avançadas que coloquem as pessoas no centro e diminuam doenças e mortes atreladas ao tabagismo. Esse é objetivo da minha carreira e a missão do Direta.
Referências
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Anvisa inicia coleta de informações sobre produtos fumígenos à base de nicotina. Brasília, DF: Anvisa, 11 jun. 2026. Disponível em: Anvisa – Produtos fumígenos à base de nicotina. Acesso em: 20 ago. 2026.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Consulta Dirigida nº 6/2026 – GGTAB: coleta de informações referente a produtos fumígenos à base de nicotina. Brasília, DF: Anvisa, 2026. Disponível em: Anvisa – Consultas dirigidas. Acesso em: 20 ago. 2026.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 46, de 28 de agosto de 2009. Proíbe a comercialização, a importação e a propaganda de quaisquer dispositivos eletrônicos para fumar, conhecidos como cigarro eletrônico. Brasília, DF: Anvisa, 2009. Disponível em: RDC nº 46/2009. Acesso em: 20 abr. 2026.
CARNEIRO, Leandro Piquet et al. 1º Levantamento Nacional sobre a Demanda de Bens e Serviços Ilícitos no Brasil. São Paulo: Escola de Segurança Multidimensional, Instituto de Relações Internacionais, Universidade de São Paulo, 2025. Disponível em: https://sites.usp.br/esem/wp-content/uploads/sites/1430/2025/10/1o-Levantamento-Nacional-sobre-a-Demanda-de-Bens-e-Servicos-Ilicitos-no-Brasil_.pdf. Acesso em: 21 abr. 2026
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 855, de 23 de abril de 2024. Dispõe sobre a proibição da fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda de dispositivos eletrônicos para fumar. Brasília, DF: Anvisa, 2024.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar: PeNSE 2024. Rio de Janeiro: IBGE, 2026. Disponível em: IBGE – Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar. Acesso em: 20 abr. 2026.
IPEC – INTELIGÊNCIA EM PESQUISA E CONSULTORIA. Cigarros eletrônicos: pesquisa quantitativa com entrevistas pessoais domiciliares. [S. l.]: Ipec, 2023. Disponível em: Pesquisa Ipec – Cigarros Eletrônicos 2023. Acesso em: 20 ago. 2026.
IPEC – INTELIGÊNCIA EM PESQUISA E CONSULTORIA. Pesquisa sobre consumo de cigarros eletrônicos no Brasil. São Paulo: Ipec, 2018.
LINDSON, Nicola et al. Electronic cigarettes for smoking cessation. Cochrane Database of Systematic Reviews, [s. l.], n. 11, art. CD010216, 2025. DOI: 10.1002/14651858.CD010216.pub10. Disponível em: Cochrane – Electronic cigarettes for smoking cessation. Acesso em: 20 abr. 2026.
VIVA. Busca por sachês de nicotina cresce 1.200% na internet; Anvisa estuda regras. Viva, São Paulo, 12 ago. 2026. Disponível em: Viva — Busca por sachês de nicotina cresce 1.200% na internet. Acesso em: 21 abr. 2026
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Tobacco. Geneva: WHO, [s.d.]. Disponível em: WHO – Tobacco. Acesso em: 20 abr. 2026.
RAMSTEDT, Mats (ed.). Vanor och konsekvenser 2025: användning och beroende av ANDTS bland vuxna i Sverige. Stockholm: Centralförbundet för alkohol- och narkotikaupplysning, 2026. CAN Rapport 242. Disponível em: CAN Rapport 242. Acesso em: 21 ago. 2026.
EUROSTAT. Cancer statistics: specific cancers. Luxembourg: European Commission, 2026. Disponível em: Eurostat, Cancer statistics. Acesso em: 21 ago. 2026.
AUSTRALIAN INSTITUTE OF HEALTH AND WELFARE. National Drug Strategy Household Survey 2025: vaping and e-cigarette use. Canberra: AIHW, 2026. Disponível em: AIHW, Vaping and e-cigarette use. Acesso em: 22 ago. 2026.
