Autores: Makayla S. Stewart, Abigail E. Hoyt, Sara Fernandez, Maggie M. Sweitzer, Lauren R. Pacek e F. Joseph McClernon
Periódico: Nicotine & Tobacco Research
Publicação: 19 de agosto de 2026 — publicação on-line antecipada
DOI: 10.1093/ntr/ntag180
PMID: 42616123
Link da publicação: https://academic.oup.com/ntr/advance-article/doi/10.1093/ntr/ntag180/8766052.
“Uma síntese recente de evidências concluiu que os cigarros eletrônicos com nicotina aumentam as taxas de cessação em comparação com a terapia de reposição de nicotina.”
Resumo
Introdução: Os cigarros eletrônicos com nicotina têm sido avaliados como auxiliares para parar de fumar cigarros combustíveis. Uma síntese recente de evidências concluiu que esses dispositivos aumentam as taxas de cessação quando comparados à terapia de reposição de nicotina. O uso dual de cigarros eletrônicos e cigarros combustíveis é um padrão comum no mundo real, com implicações específicas para a dependência e a exposição a substâncias nocivas, mas raramente é considerado um desfecho nos ensaios clínicos.
Métodos: Revisamos os ensaios clínicos publicados e revisados por pares incluídos em uma recente revisão Cochrane e metanálise sobre o uso de cigarros eletrônicos para parar de fumar. O objetivo foi verificar se a prevalência do uso dual ao final dos ensaios: (1) havia sido informada diretamente ou poderia ser calculada com base nos resultados apresentados; e (2) havia sido definida de maneira suficientemente específica. Também calculamos a prevalência do uso dual no momento pós-intervenção informado com maior frequência, correspondente a quatro semanas.
Resultados: Dos 71 ensaios clínicos elegíveis, 57 (80,3%) não informaram a prevalência do uso dual; um estudo (1,4%) apresentou dados que permitiram calculá-la; e 12 (16,9%) relataram o uso dual como um desfecho. Entre esses 12 estudos, apenas um especificou, na definição de uso dual, tanto a frequência quanto a duração do uso de cada produto. Considerando todos os momentos de acompanhamento informados, a prevalência do uso dual nos grupos que receberam cigarros eletrônicos variou de 6,6% a 89,5%. Após quatro semanas, a prevalência média foi de 42,6%.
Conclusões: O uso dual é informado com pouca frequência e de maneira inconsistente nos ensaios sobre cigarros eletrônicos para cessação do tabagismo. Isso limita a interpretação tanto da eficácia clínica quanto do impacto desses produtos sobre a saúde pública. Os autores apresentam recomendações para definir o uso dual como um desfecho dos ensaios clínicos e padronizar a comunicação dos resultados.
Palavras-chave: cigarros eletrônicos; cessação do tabagismo; uso dual.
