Autores: Nicola Lindson; Jonathan Livingstone-Banks; Ailsa R. Butler; Hayden McRobbie; Christopher R. Bullen; Peter Hajek; Angela Difeng Wu; Rachna Begh; Annika Theodoulou; Claire Ma; Caitlin Notley; Nancy A. Rigotti; Tari Turner; Thomas Fanshawe; Jamie Hartmann-Boyce.
Publicado em: 26 de agosto de 2026
DOI: https://doi.org/10.1002/14651858.CD010216.pub11
Link para o artigo: https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD010216.pub11/full
“Há evidência de alta certeza de que os cigarros eletrônicos com nicotina aumentam as taxas de abandono do cigarro em comparação com a terapia de reposição de nicotina.”
Resumo
Justificativa
Os cigarros eletrônicos são dispositivos eletrônicos portáteis que produzem um aerossol por meio do aquecimento de um líquido. Pessoas que fumam, profissionais de saúde e órgãos reguladores querem saber se esses dispositivos podem ajudar as pessoas a parar de fumar e se são seguros quando utilizados com essa finalidade. Esta atualização foi realizada como parte de uma revisão sistemática viva.
Objetivos
Avaliar a segurança, a tolerabilidade e a eficácia dos cigarros eletrônicos para ajudar pessoas que fumam tabaco a alcançar abstinência do cigarro em longo prazo, em comparação com cigarros eletrônicos sem nicotina, outros tratamentos para parar de fumar e nenhuma intervenção.
Métodos de busca
Foram realizadas buscas no Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL), MEDLINE, Embase e PsycINFO, abrangendo o período até 1º de janeiro de 2026. Também foram verificadas as listas de referências e contatados os autores dos estudos.
Critérios de elegibilidade
Foram incluídos ensaios clínicos randomizados que distribuíram aleatoriamente pessoas que fumavam para receber cigarros eletrônicos ou uma intervenção de controle. Os estudos precisavam avaliar pelo menos um dos desfechos elegíveis.
Desfechos
Os desfechos críticos foram abstinência do cigarro após pelo menos seis meses, eventos adversos e eventos adversos graves. Os desfechos importantes incluíram biomarcadores, substâncias tóxicas e cancerígenas, uso prolongado do produto estudado e padrões de longo prazo de uso de cigarros eletrônicos e cigarros combustíveis.
Risco de viés
A ferramenta RoB 1 foi utilizada para avaliar o risco de viés de cada estudo, enquanto o sistema GRADE foi empregado para analisar o grau de certeza das evidências.
Métodos de síntese
Foram seguidos os métodos-padrão da Cochrane para seleção dos estudos e extração dos dados. Quando apropriado, os resultados foram combinados por meio de modelos de efeitos aleatórios para calcular riscos relativos (RR), com intervalos de confiança (IC) de 95%, para os desfechos dicotômicos, exceto eventos adversos graves.
Para os eventos adversos graves, foram calculadas diferenças de risco (DR), com IC de 95%. Para os desfechos contínuos, foram calculadas diferenças médias (DM) ou diferenças médias padronizadas (DMP), também com IC de 95%.
Estudos incluídos
Foram incluídos 80 ensaios clínicos randomizados concluídos, envolvendo 29.861 participantes. Nove desses ensaios foram acrescentados nesta atualização. Entre os estudos incluídos, 12 foram classificados como de baixo risco de viés, 41 como de alto risco e os demais como de risco geral incerto.
Síntese dos resultados
Os cigarros eletrônicos com nicotina aumentaram as taxas de abandono do cigarro em comparação com a terapia de reposição de nicotina, como adesivos e gomas, com evidência de alta certeza (RR 1,61; IC 95%: 1,23 a 2,12; I² = 55%; 11 estudos; 4.114 participantes). Em termos absolutos, isso pode representar quatro pessoas a mais que deixam de fumar a cada 100 participantes (IC 95%: de 1 a 7 pessoas a mais).
A proporção de participantes que apresentaram eventos adversos pode ter sido semelhante entre os grupos, embora a evidência tenha sido classificada como de baixa certeza devido à imprecisão e à inconsistência dos resultados (RR 0,95; IC 95%: 0,72 a 1,24; I² = 72%; 8 estudos; 3.107 participantes). A proporção de participantes com eventos adversos graves provavelmente também foi semelhante entre os grupos, com evidência de certeza moderada, limitada pela imprecisão (DR 0,01; IC 95%: −0,01 a 0,02; I² = 0%; 10 estudos; 4.045 participantes).
Os cigarros eletrônicos com nicotina provavelmente aumentaram as taxas de abandono do cigarro em comparação com os cigarros eletrônicos sem nicotina, com evidência de certeza moderada, limitada pela imprecisão (RR 1,34; IC 95%: 1,05 a 1,69; I² = 0%; 7 estudos; 1.918 participantes). Em termos absolutos, isso pode resultar em duas pessoas a mais que deixam de fumar a cada 100 participantes (IC 95%: de 0 a 4 pessoas a mais).
Provavelmente houve pouca ou nenhuma diferença na proporção de participantes que apresentaram eventos adversos entre esses grupos, com evidência de certeza moderada, limitada pela imprecisão (RR 1,01; IC 95%: 0,95 a 1,08; I² = 0%; 6 estudos; 909 participantes). As proporções de eventos adversos graves também podem ter sido semelhantes (DR 0,00; IC 95%: −0,01 a 0,01; I² = 0%; 11 estudos; 1.786 participantes). A certeza dessa evidência foi considerada baixa devido à imprecisão muito grave.
Em comparação com apenas apoio comportamental ou nenhum apoio, as taxas de abandono do cigarro podem ter sido maiores entre os participantes designados para utilizar cigarros eletrônicos com nicotina. A evidência foi considerada de baixa certeza devido ao risco de viés (RR 1,75; IC 95%: 1,39 a 2,20; I² = 13%; 11 estudos; 7.214 participantes). Em termos absolutos, isso representa duas pessoas a mais que deixam de fumar a cada 100 participantes (IC 95%: de 2 a 6 pessoas a mais).
Houve alguma evidência de que as pessoas designadas para utilizar cigarros eletrônicos com nicotina poderiam apresentar maior probabilidade de eventos adversos não graves (RR 1,22; IC 95%: 1,00 a 1,49; I² = 58%; 11 estudos; 2.801 participantes). Entretanto, essa evidência é incerta e foi classificada como de certeza muito baixa devido à imprecisão e ao risco de viés.
As evidências foram insuficientes para determinar se as taxas de eventos adversos graves diferiram entre os grupos (DR 0,00; IC 95%: −0,00 a 0,01; I² = 0%; 18 estudos; 5.032 participantes). A certeza dessa evidência foi considerada muito baixa devido à imprecisão e ao risco de viés.
Conclusões dos autores
Há evidência de alta certeza de que os cigarros eletrônicos com nicotina aumentam as taxas de abandono do cigarro em comparação com a terapia de reposição de nicotina. Há também evidência de certeza moderada de que eles provavelmente aumentam essas taxas quando comparados aos cigarros eletrônicos sem nicotina. As evidências que comparam os cigarros eletrônicos com nicotina ao apoio comportamental ou à ausência de apoio também sugerem benefício, mas são menos confiáveis devido ao risco de viés inerente aos desenhos dos estudos.
De modo geral, a incidência de eventos adversos graves foi baixa em todos os grupos. Atualmente, há evidência de certeza moderada de que as taxas desses eventos são semelhantes entre cigarros eletrônicos com nicotina e terapia de reposição de nicotina.
Também não foram encontradas evidências de diferença na ocorrência de eventos adversos entre cigarros eletrônicos com e sem nicotina, nem entre cigarros eletrônicos com nicotina e terapia de reposição de nicotina. Entretanto, foi identificada evidência de baixa certeza de maior ocorrência de eventos adversos em comparação com apoio comportamental ou ausência de apoio.
Não foram encontradas evidências de danos graves em curto prazo provocados pelos cigarros eletrônicos com nicotina. Contudo, são necessários ensaios clínicos maiores e com acompanhamento mais prolongado para avaliar plenamente sua segurança.
Os estudos incluídos avaliaram cigarros eletrônicos regulamentados e contendo nicotina. Produtos ilícitos ou que contenham outras substâncias ativas, como o tetrahidrocanabinol (THC), podem apresentar perfis de danos diferentes.
A principal limitação do conjunto de evidências continua sendo a imprecisão em algumas comparações. Outros ensaios clínicos randomizados estão em andamento. Para garantir que as informações permaneçam atualizadas, esta é uma revisão sistemática viva: novas buscas são realizadas e avaliadas mensalmente, e a revisão é atualizada quando surgem evidências relevantes. A versão mais recente deve ser consultada na Cochrane Database of Systematic Reviews.Cigarros eletrônicos para parar de fumar
Autores: Nicola Lindson; Jonathan Livingstone-Banks; Ailsa R. Butler; Hayden McRobbie; Christopher R. Bullen; Peter Hajek; Angela Difeng Wu; Rachna Begh; Annika Theodoulou; Claire Ma; Caitlin Notley; Nancy A. Rigotti; Tari Turner; Thomas Fanshawe; Jamie Hartmann-Boyce.
Publicado em: 26 de agosto de 2026
DOI: https://doi.org/10.1002/14651858.CD010216.pub11
Resumo
Justificativa
Os cigarros eletrônicos são dispositivos eletrônicos portáteis que produzem um aerossol por meio do aquecimento de um líquido. Pessoas que fumam, profissionais de saúde e órgãos reguladores querem saber se esses dispositivos podem ajudar as pessoas a parar de fumar e se são seguros quando utilizados com essa finalidade. Esta atualização foi realizada como parte de uma revisão sistemática viva.
Objetivos
Avaliar a segurança, a tolerabilidade e a eficácia dos cigarros eletrônicos para ajudar pessoas que fumam tabaco a alcançar abstinência do cigarro em longo prazo, em comparação com cigarros eletrônicos sem nicotina, outros tratamentos para parar de fumar e nenhuma intervenção.
Métodos de busca
Foram realizadas buscas no Cochrane Central Register of Controlled Trials (CENTRAL), MEDLINE, Embase e PsycINFO, abrangendo o período até 1º de janeiro de 2026. Também foram verificadas as listas de referências e contatados os autores dos estudos.
Critérios de elegibilidade
Foram incluídos ensaios clínicos randomizados que distribuíram aleatoriamente pessoas que fumavam para receber cigarros eletrônicos ou uma intervenção de controle. Os estudos precisavam avaliar pelo menos um dos desfechos elegíveis.
Desfechos
Os desfechos críticos foram abstinência do cigarro após pelo menos seis meses, eventos adversos e eventos adversos graves. Os desfechos importantes incluíram biomarcadores, substâncias tóxicas e cancerígenas, uso prolongado do produto estudado e padrões de longo prazo de uso de cigarros eletrônicos e cigarros combustíveis.
Risco de viés
A ferramenta RoB 1 foi utilizada para avaliar o risco de viés de cada estudo, enquanto o sistema GRADE foi empregado para analisar o grau de certeza das evidências.
Métodos de síntese
Foram seguidos os métodos-padrão da Cochrane para seleção dos estudos e extração dos dados. Quando apropriado, os resultados foram combinados por meio de modelos de efeitos aleatórios para calcular riscos relativos (RR), com intervalos de confiança (IC) de 95%, para os desfechos dicotômicos, exceto eventos adversos graves.
Para os eventos adversos graves, foram calculadas diferenças de risco (DR), com IC de 95%. Para os desfechos contínuos, foram calculadas diferenças médias (DM) ou diferenças médias padronizadas (DMP), também com IC de 95%.
Estudos incluídos
Foram incluídos 80 ensaios clínicos randomizados concluídos, envolvendo 29.861 participantes. Nove desses ensaios foram acrescentados nesta atualização. Entre os estudos incluídos, 12 foram classificados como de baixo risco de viés, 41 como de alto risco e os demais como de risco geral incerto.
Síntese dos resultados
Os cigarros eletrônicos com nicotina aumentaram as taxas de abandono do cigarro em comparação com a terapia de reposição de nicotina, como adesivos e gomas, com evidência de alta certeza (RR 1,61; IC 95%: 1,23 a 2,12; I² = 55%; 11 estudos; 4.114 participantes). Em termos absolutos, isso pode representar quatro pessoas a mais que deixam de fumar a cada 100 participantes (IC 95%: de 1 a 7 pessoas a mais).
A proporção de participantes que apresentaram eventos adversos pode ter sido semelhante entre os grupos, embora a evidência tenha sido classificada como de baixa certeza devido à imprecisão e à inconsistência dos resultados (RR 0,95; IC 95%: 0,72 a 1,24; I² = 72%; 8 estudos; 3.107 participantes). A proporção de participantes com eventos adversos graves provavelmente também foi semelhante entre os grupos, com evidência de certeza moderada, limitada pela imprecisão (DR 0,01; IC 95%: −0,01 a 0,02; I² = 0%; 10 estudos; 4.045 participantes).
Os cigarros eletrônicos com nicotina provavelmente aumentaram as taxas de abandono do cigarro em comparação com os cigarros eletrônicos sem nicotina, com evidência de certeza moderada, limitada pela imprecisão (RR 1,34; IC 95%: 1,05 a 1,69; I² = 0%; 7 estudos; 1.918 participantes). Em termos absolutos, isso pode resultar em duas pessoas a mais que deixam de fumar a cada 100 participantes (IC 95%: de 0 a 4 pessoas a mais).
Provavelmente houve pouca ou nenhuma diferença na proporção de participantes que apresentaram eventos adversos entre esses grupos, com evidência de certeza moderada, limitada pela imprecisão (RR 1,01; IC 95%: 0,95 a 1,08; I² = 0%; 6 estudos; 909 participantes). As proporções de eventos adversos graves também podem ter sido semelhantes (DR 0,00; IC 95%: −0,01 a 0,01; I² = 0%; 11 estudos; 1.786 participantes). A certeza dessa evidência foi considerada baixa devido à imprecisão muito grave.
Em comparação com apenas apoio comportamental ou nenhum apoio, as taxas de abandono do cigarro podem ter sido maiores entre os participantes designados para utilizar cigarros eletrônicos com nicotina. A evidência foi considerada de baixa certeza devido ao risco de viés (RR 1,75; IC 95%: 1,39 a 2,20; I² = 13%; 11 estudos; 7.214 participantes). Em termos absolutos, isso representa duas pessoas a mais que deixam de fumar a cada 100 participantes (IC 95%: de 2 a 6 pessoas a mais).
Houve alguma evidência de que as pessoas designadas para utilizar cigarros eletrônicos com nicotina poderiam apresentar maior probabilidade de eventos adversos não graves (RR 1,22; IC 95%: 1,00 a 1,49; I² = 58%; 11 estudos; 2.801 participantes). Entretanto, essa evidência é incerta e foi classificada como de certeza muito baixa devido à imprecisão e ao risco de viés.
As evidências foram insuficientes para determinar se as taxas de eventos adversos graves diferiram entre os grupos (DR 0,00; IC 95%: −0,00 a 0,01; I² = 0%; 18 estudos; 5.032 participantes). A certeza dessa evidência foi considerada muito baixa devido à imprecisão e ao risco de viés.
Conclusões dos autores
Há evidência de alta certeza de que os cigarros eletrônicos com nicotina aumentam as taxas de abandono do cigarro em comparação com a terapia de reposição de nicotina. Há também evidência de certeza moderada de que eles provavelmente aumentam essas taxas quando comparados aos cigarros eletrônicos sem nicotina. As evidências que comparam os cigarros eletrônicos com nicotina ao apoio comportamental ou à ausência de apoio também sugerem benefício, mas são menos confiáveis devido ao risco de viés inerente aos desenhos dos estudos.
De modo geral, a incidência de eventos adversos graves foi baixa em todos os grupos. Atualmente, há evidência de certeza moderada de que as taxas desses eventos são semelhantes entre cigarros eletrônicos com nicotina e terapia de reposição de nicotina.
Também não foram encontradas evidências de diferença na ocorrência de eventos adversos entre cigarros eletrônicos com e sem nicotina, nem entre cigarros eletrônicos com nicotina e terapia de reposição de nicotina. Entretanto, foi identificada evidência de baixa certeza de maior ocorrência de eventos adversos em comparação com apoio comportamental ou ausência de apoio.
Não foram encontradas evidências de danos graves em curto prazo provocados pelos cigarros eletrônicos com nicotina. Contudo, são necessários ensaios clínicos maiores e com acompanhamento mais prolongado para avaliar plenamente sua segurança.
Os estudos incluídos avaliaram cigarros eletrônicos regulamentados e contendo nicotina. Produtos ilícitos ou que contenham outras substâncias ativas, como o tetrahidrocanabinol (THC), podem apresentar perfis de danos diferentes.
A principal limitação do conjunto de evidências continua sendo a imprecisão em algumas comparações. Outros ensaios clínicos randomizados estão em andamento. Para garantir que as informações permaneçam atualizadas, esta é uma revisão sistemática viva: novas buscas são realizadas e avaliadas mensalmente, e a revisão é atualizada quando surgem evidências relevantes. A versão mais recente deve ser consultada na Cochrane Database of Systematic Reviews.
