Autores: Sooyong Kim, Arielle Selya e Ray Niaura
Periódico: Nicotine & Tobacco Research
Tipo: Artigo científico — versão corrigida antes da publicação definitiva (corrected proof)
Data de publicação: 19 de junho de 2026
DOI: https://doi.org/10.1093/ntr/ntag135
Tradução do resumo
Introdução
O monitoramento do consumo de nicotina e tabaco geralmente examina o uso ou não uso de cada produto separadamente. No entanto, essa abordagem não consegue captar a substituição entre produtos nem os diferentes tipos de consumo de múltiplos produtos. A presente análise utiliza classificações mais detalhadas quanto ao período e ao comportamento de consumo para examinar as tendências de uso de sistemas eletrônicos de liberação de nicotina e de cigarros convencionais.
Métodos
Foram examinadas as tendências trimestrais de uso de cigarros convencionais e sistemas eletrônicos de liberação de nicotina a partir dos dados da Pesquisa Nacional de Saúde dos Estados Unidos (National Health Interview Survey – NHIS), entre 2014 e 2024.
A situação de tabagismo e uso de cigarros eletrônicos foi definida com base na frequência informada pelos próprios participantes para cada produto: todos os dias, alguns dias ou nunca. A combinação dessas respostas resultou em nove categorias, incluindo a ausência de consumo. As tendências foram analisadas no conjunto da amostra e por faixas etárias: 18 a 29 anos, 30 a 44 anos, 45 a 59 anos e 60 anos ou mais.
Resultados
O uso de pelo menos um dos dois produtos apresentou uma redução moderada, passando de 18% no primeiro trimestre de 2014 para 16% no quarto trimestre de 2024.
Entre as pessoas que utilizavam pelo menos um dos produtos, o tabagismo exclusivo diminuiu consideravelmente, passando de 80% para 50%. Essa redução foi amplamente compensada por um aumento expressivo do uso exclusivo de cigarros eletrônicos, que passou de 5% para 40%.
O uso simultâneo dos dois produtos apresentou um padrão em forma de “U”, com uma redução inicial seguida por um aumento.
Embora o uso de pelo menos um dos produtos tenha permanecido estável na maioria das faixas etárias, a idade influenciou significativamente as tendências. Os adultos de 18 a 29 anos apresentaram a maior redução no tabagismo exclusivo, de 73% para 7%. Em seguida apareceram os adultos de 30 a 44 anos, com queda de 78% para 47%, e aqueles de 45 a 59 anos, com redução de 84% para 72%.
Por outro lado, entre os adultos com 60 anos ou mais, o tabagismo exclusivo continuou predominante e permaneceu praticamente inalterado, passando de 86% para 85%.
Conclusão
Entre 2014 e 2024, ocorreu uma mudança expressiva do tabagismo exclusivo para o uso exclusivo de cigarros eletrônicos. Essa transição pode representar uma redução de danos em nível populacional por meio da migração para produtos sem combustão, especialmente entre os adultos mais jovens, enquanto poucas mudanças foram observadas entre os adultos mais velhos.
Implicações
As mudanças do tabagismo exclusivo para o uso exclusivo de cigarros eletrônicos — em um contexto de estabilidade geral no consumo de produtos de tabaco e nicotina — podem indicar que os produtos de nicotina sem combustão complementaram as medidas tradicionais de controle do tabaco durante esse período, contribuindo para reduzir ou prevenir o consumo de cigarros convencionais.
Continua sendo fundamental encontrar um equilíbrio entre permitir que adultos que fumam tenham acesso a alternativas de menor risco e impedir que pessoas que não utilizam esses produtos iniciem o consumo.
A persistência do tabagismo exclusivo entre os adultos mais velhos evidencia a necessidade de intervenções direcionadas a essa população prioritária. Por fim, o aumento recente do uso simultâneo destaca a importância do monitoramento contínuo, para o qual os dados trimestrais da Pesquisa Nacional de Saúde podem fornecer informações relevantes.
