Proporção de fumantes de 15 a 24 anos passou de 17,7% para 13,5% entre 2023 e 2025. No mesmo período, o uso mensal de vapes permaneceu estável, em torno de 9%.
Em resumo
- O tabagismo entre jovens suíços caiu quase um quarto em dois anos.
- O uso mensal de vapes e sachês de nicotina ficou praticamente estável.
- Os dados mostram queda no consumo de cigarros enquanto alternativas sem combustão continuavam disponíveis.
- Acompanhar cada produto separadamente ajuda a compreender os resultados para a saúde pública.
A proporção de jovens que fumam na Suíça caiu de 17,7% em 2023 para 13,5% em 2025. A redução foi de aproximadamente 24% em dois anos entre pessoas de 15 a 24 anos, segundo uma análise do pesquisador Jean-François Etter, apresentada pelo Clearing the Air.
Em termos simples, a cada mil jovens, cerca de 177 fumavam em 2023. Em 2025, essa proporção correspondia a 135. São 42 fumantes a menos por mil pessoas dessa faixa etária.
Os números consideram quem fuma pelo menos uma vez por mês, incluindo quem fuma diariamente. Portanto, o resultado abrange adolescentes e adultos jovens.
Cigarro recua enquanto uso de vapes fica estável
No mesmo período em que o tabagismo caiu, o uso mensal de cigarros eletrônicos permaneceu em torno de 9% entre os jovens de 15 a 24 anos.
O consumo de sachês de nicotina também ficou praticamente estável, próximo de 3%. Já o uso de snus, produto de uso oral que contém tabaco, recuou de aproximadamente 5% para 3%, segundo a análise de Etter.
Esse conjunto de resultados ajuda a colocar o debate em perspectiva: a presença de vapes e de outros produtos de nicotina no mercado suíço foi acompanhada por uma redução expressiva do tabagismo nessa faixa etária.
Na avaliação do pesquisador, os dados são tranquilizadores e contrariam a expectativa de que a disponibilidade desses produtos necessariamente levaria a um aumento do consumo de cigarros entre jovens.
De onde vêm os dados?
Os resultados são da Pesquisa Saúde e Estilo de Vida da Suíça, realizada pelo órgão federal de saúde pública e pelo Fundo de Prevenção do Tabagismo, em colaboração com o órgão federal de estatística.
O levantamento ouviu aproximadamente 6 mil pessoas em 2023 e 5,8 mil em 2025, considerando a população a partir dos 15 anos. As tabelas detalhadas de 2025 foram disponibilizadas em 22 de setembro de 2026.
A comparação mostra como o consumo mudou entre as duas pesquisas. Identificar os fatores responsáveis pela queda exige análises adicionais, inclusive sobre quem deixou de fumar e quais caminhos utilizou.
Por que distinguir cigarro, vape e outros produtos?
A forma de consumir nicotina faz diferença para a saúde. No cigarro, a queima do tabaco gera uma fumaça com milhares de substâncias químicas, muitas delas tóxicas e cancerígenas.
Os vapes aquecem um líquido e produzem um aerossol, sem queimar tabaco. Segundo o NHS, serviço público de saúde britânico, isso expõe o usuário a menos substâncias tóxicas e em níveis menores do que fumar. Para adultos fumantes, abandonar completamente o cigarro é essencial para obter o maior benefício dessa substituição.
Por essa razão, acompanhar separadamente o tabagismo e o uso de outros produtos de nicotina permite enxergar mudanças relevantes. Uma taxa geral que reúna todos os produtos pode esconder a queda no consumo daqueles que provocam os maiores danos.
O que o caso suíço acrescenta ao debate?
Os resultados suíços mostram que a disponibilidade de alternativas sem combustão pode coexistir com a redução do tabagismo entre jovens. Entre 2023 e 2025, o consumo mensal de vapes permaneceu estável enquanto a proporção de fumantes caiu quase um quarto.
Para avaliar políticas públicas, esse é um dado central: acompanhar quantas pessoas fumam e como esse número evolui ajuda a identificar avanços na redução dos danos causados pela fumaça do tabaco.
Paralelo com o Brasil
O caso suíço ajuda a refletir sobre a estratégia brasileira. No Brasil, a comercialização e a importação de vapes são proibidas desde 2009, proibição reforçada pela Anvisa em 2024. Mesmo assim, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, do IBGE, a proporção de estudantes de 13 a 17 anos que já experimentaram cigarros eletrônicos passou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024. Esses resultados mostram que a proibição não impediu o acesso dos adolescentes aos dispositivos. Enquanto a Suíça registra queda no tabagismo com alternativas sem combustão disponíveis, o Brasil enfrenta o crescimento da experimentação de vapes em um mercado inteiramente irregular, o que reforça a necessidade de avaliar as políticas pelos resultados concretos na proteção dos jovens e na redução do consumo de cigarros.
