Pesquisa publicada em setembro analisou composição, absorção de nicotina e padrões de uso.
Em resumo
- A atualização identificou 73 estudos. Somados aos 62 da revisão anterior, são 135 pesquisas sobre sachês de nicotina.
- Os produtos apresentaram toxicidade consideravelmente menor que a dos cigarros convencionais.
- Estudos iniciais observaram redução do número de cigarros fumados.
- A absorção de nicotina varia conforme a formulação e a concentração do sachê. Produtos de maior concentração podem resultar em absorção superior à de um cigarro.
- Nos Estados Unidos, as vendas mais que triplicaram entre 2021 e 2024, enquanto o uso atual entre adultos permaneceu abaixo de 1% nas pesquisas nacionais de 2022 e 2023.
Uma nova revisão científica amplia o que se sabe sobre os sachês de nicotina e ajuda a separar duas perguntas que costumam aparecer juntas: como esses produtos se comparam ao cigarro em toxicidade e se ajudam as pessoas a deixar de fumar. Para a primeira, os pesquisadores encontraram evidências de toxicidade consideravelmente menor. Para a segunda, os resultados confirmam a diminuição no consumo de cigarros a combustão, incluindo o abandono.
Publicada em 6 de setembro na revista Nicotine & Tobacco Research, a revisão liderada por Nargiz Travis identificou 73 estudos novos em seis bases de dados, com pesquisas disponíveis até 30 de setembro de 2025. O trabalho atualiza uma revisão anterior de 62 estudos. No total, as duas publicações cobrem 135 pesquisas sobre características dos produtos, toxicidade, comportamento dos usuários, vendas e publicidade.
Menor toxicidade e diferenças entre produtos
Os sachês são usados na boca e liberam nicotina pela mucosa oral, sem queima de tabaco. Ao reunir os resultados disponíveis, a equipe concluiu que sua toxicidade é consideravelmente menor que a dos cigarros. Essa conclusão diz respeito à comparação com o produto que queima tabaco.
Mercado cresce e uso entre jovens exige acompanhamento
Nos Estados Unidos, as vendas de sachês mais que triplicaram entre 2021 e 2024. As pesquisas nacionais citadas pela revisão estimaram uso atual entre 0,4% e 0,8% dos adultos em 2022 e 2023, com maior frequência entre pessoas de 18 a 44 anos e usuários de outros produtos de tabaco.
Entre estudantes do ensino fundamental e médio, a pesquisa nacional norte-americana National Youth Tobacco Survey registrou um uso atual de 1,8% em 2024. Por isso, defendem acompanhar tanto a substituição do cigarro entre adultos quanto a experimentação por quem não usava nicotina.
Ao reunir estudos de diferentes tipos, a revisão oferece um panorama amplo. O resultado mais claro é a diferença de toxicidade frente ao cigarro. O efeito da substituição sobre a saúde ao longo de muitos anos continua sendo uma pergunta para pesquisas futuras.
Fonte principal: Travis N. et al. Oral Nicotine Pouches and Public Health: Evidence from an Updated Scoping Review. Nicotine & Tobacco Research, publicado em 6 set. 2026. DOI: 10.1093/ntr/ntag203.
