Consultoria estima que o setor movimentou US$ 2,3 bilhões em 2025. Mesmo com a venda proibida desde 2019, os produtos continuam disponíveis.
Em resumo
- A Índia proibiu a fabricação, a importação e a venda de vapes em 2019.
- A consultoria IMARC Group estima que esse mercado movimentou US$ 2,3 bilhões em 2025.
- A previsão é de crescimento médio de 4,46% ao ano entre 2026 e 2034.
- Uma pesquisa identificou que jovens adultos conseguiam os produtos em lojas e com conhecidos.
- A Associação de Vapers da Índia defende regras de venda, controle de qualidade e fiscalização.
A proibição da venda de vapes na Índia não eliminou o comércio desses produtos. Segundo um relatório da consultoria IMARC Group, o mercado indiano movimentou cerca de US$ 2,3 bilhões em 2025. A empresa prevê que esse valor chegue a US$ 3,41 bilhões em 2034.
Os dados foram apresentados em uma análise da Associação de Vapers da Índia, publicada em 8 de outubro. Para a entidade, a presença dos dispositivos no país mostra a necessidade de rever a proibição.
Venda continua pela internet e por canais clandestinos
A legislação indiana de 2019 proíbe a fabricação, a importação, a venda e a publicidade de cigarros eletrônicos, entre outras atividades. Quem descumpre a lei pode receber multas e ser preso.
Apesar disso, a IMARC aponta que os produtos continuam chegando aos consumidores pela internet e por vendedores clandestinos. A consultoria estima que as vendas online representaram 36% do mercado em 2025.
Os números são estimativas de mercado. Eles indicam que, mesmo sem autorização para vender, fornecedores continuam atendendo à procura pelos dispositivos.
Pesquisa identificou acesso entre jovens adultos
Um estudo publicado em 2023 na revista Preventive Medicine Reports também identificou acesso aos vapes após a proibição.
A pesquisa ouviu 840 indianos de 18 a 30 anos com formação após o ensino médio. Entre eles, 23% disseram já ter usado cigarros eletrônicos. Os participantes relataram conseguir os produtos em lojas, tabacarias e com amigos ou familiares.
O resultado descreve o grupo entrevistado, não todos os jovens da Índia. Ainda assim, mostra que a proibição não impediu o acesso entre os participantes. Os pesquisadores defenderam mais educação e fiscalização.
Associação defende regras para o comércio
A Associação de Vapers da Índia propõe substituir a proibição por um mercado regulado. A ideia é permitir a venda com exigências para fabricantes e comerciantes.
A proposta inclui licença para vendedores, verificação de idade, controle dos ingredientes e da concentração de nicotina, padrões de segurança para baterias e embalagens que dificultem a abertura por crianças.
A entidade também defende identificar a origem dos produtos e usar parte dos impostos arrecadados em ações de prevenção e apoio a quem quer parar de fumar.
Segundo a associação, essas medidas permitiriam fiscalizar fornecedores e responsabilizar quem descumprisse as regras.
Proibição precisa ser avaliada na prática
Os dados apresentados mostram que os vapes continuam disponíveis na Índia, apesar das restrições. Também indicam a necessidade de acompanhar como os produtos são vendidos e quem consegue comprá-los.
Para a associação, o desafio é criar mecanismos de controle sobre um comércio que a proibição não conseguiu eliminar.
O paralelo com o Brasil
O caso indiano tem um paralelo com o Brasil, onde a venda de vapes é proibida desde 2009, mas os produtos continuam disponíveis no mercado clandestino. O levantamento da USP em parceria com o Ipsos estima que 8,5 milhões de brasileiros usam vapes. Segundo dados apresentados pela Folha de S.Paulo, as apreensões desses dispositivos chegaram perto de R$ 200 milhões em 2024. Assim como na Índia, a proibição não eliminou o acesso: milhões de consumidores continuam sendo atendidos por um comércio sem fornecedores autorizados ou padrões de qualidade exigidos para a venda legal.
